terça-feira, 3 de julho de 2007

A HISTÓRIA DO BOI "DOM JUAN" E DA VACA ADVOGADA.


Quando ainda morava no Sul, conheci um certo boi da sub-espécie “Don Juan” ou “Casanova”, como preferirem, desses metido à conquistador barato de vacas. Sim baratos, porque geralmente são “duros” (em ambas as acepções, conhecidas na língua portuguesa).O boi em questão tratava-se de uma “figura impagável”, inofensivo, tipo “maluco beleza”, e nessa singular condição inegavelmente engraçado e divertido. Vocês muito provavelmente já devem ter se deparado com um bovino, tipo “peça” desses: Aqueles tipos de bois que a simples visão de um mero “rabo-de-saia” feminino, ficam desde logo assanhados e abordam sem mais nem menos na “cara dura”, e sob qualquer pretexto, objetivamente qualquer vaca, sempre para, fins libidinosos, é claro. Pois é, este era o retrato falado do boi, sem “tirar nem pôr”!

Graças às peripécias e táticas de conquista aplicadas pelo citado “boi”, quando ainda era proprietária de um “Café” em Porto Alegre, tive a oportunidade de presenciar e assistir, á quase todos os tipos de “cantadas” e abordagens masculinas intercorrentes, das mais singelas e engraçadinhas, às mais agressivas, além daquelas de indescritível mau-gosto, pois o boi não perdoava mesmo, qualquer vaca que se atravessasse em seu caminho.

Não preciso dizer, que dito “boi” da condição de mero cliente do ‘Café’ logo foi guindado à condição de “velho-conhecido”, e colaborador, e não raras às vezes, em que não estava a paquerar ou abordar qualquer vaca, passava no citado ‘Café’ horas a fio, relatando suas ontológicas conquistas e desventuras de “boi-macho” para quem quisesse ouvir.

Seu rol de “vacas-abatidas” era incontável e não raras vezes surpreendente, por que lá sempre se encontravam algumas vaquinhas comprometidas e até mesmo conhecidas ou de domínio público...

Mas como todo boi, “metido” a conquistador, eventualmente tropeça, em tanta malandragem, em um desses seus “tropeços-reais”, resolveu este, solicitar meus préstimos de profissional do direito.

O “causo” jurídico, envolvendo o bovino “Dom Juan”, se deu como segue, portanto, pasmem, melhor dizendo “mujam” !(do verbo mugir, como fazem usualmente os bovinos.)

Em uma casual sexta-feira à noite, depois de uma árdua semana de trabalho, essa vaca-advogada, que vos fala, já devidamente resguardada em seu curral, exercitando com justiça o almejado “ócio” pré-fim de semana, viu-se subitamente surpreendida por um telefonema inusitado de tal boi, que naquele dia(uma sexta-feira à noite), hora (passada das 22:00 horas),e local (cidade de Porto Alegre-RS) dizia estar a necessitar de um advogado com urgência.

Já com prévio conhecimento do “histórico” do boi em questão, de imediato, constatei, que boa coisa não poderia ser, e já fui logo adiantando:

-Querido, lamento não poder ajudar, não trabalho na área do direito penal, imaginando lá com meus “botões”, algum caso de flagrante de adultério, ou até mesmo um homicídio culposo, vai saber, se não se deparou o “Don Juan de araque”, com algum “boi-chifrudo”, mais esquentado, por conta de algum caso com uma vaca-comprometida. Agora me digam: O que mais poderia se esperar de um boi, metido a ‘Casanova’ ?

O boi do outro lado da linha, com indisfarçável ansiedade, assim mesmo prosseguiu: - Não querida “Doutoura DM” não se trata disso, não! Mas, certamente tem uma “vaca” no meio... (Ah! Eu já sabia, tinha que haver uma vaca no meio é lógico!)

– Hrummmm – balbuciei, mais do que laconicamente, não disfarçando um bocejo proposital. – Mas a propósito, em que posso eu te ajudar, juridicamente falando, ainda mais à uma hora dessas ? (Mera estratégia, para ver se o boi se mancava.) Em vão ! Por alguns segundos, esqueci, inadvertidamente que bois da espécie “Don Juans”, não conhecem, ou nunca ouviram falar da expressão “se mancar” !

E aí o boi desandou a relatar sua questão, agasalhado na seguinte “tese jurídica”:

DOS FATOS:

Doutoura DM: Quando saí de seu Café, uma bela “vaquinha” que por lá se encontrava deu “mole” para mim. Como não me “agüento nas pernas”,(para não dizer nas calças) e sem maiores delongas, a convidei de imediato para irmos a um Motel. A vaca topou “de cara” o programa, mas para minha total surpresa, quando entramos no quarto, a vaca começou com umas “frescuras” de que não queria mais, de que tinha se arrependido, que não era bem assim, de que ela não se tratava de uma vaca fácil! Enfim Dra.,essas “maluquices” de mulher ! Bom, aí eu me irritei e resolvi ir embora mesmo, porque a VACA (Sim ele usou exatamente essa expressão) já tava fazendo muito “jogo duro”, e eu ia acabar “perdendo” a minha noite de sexta!

DA TESE JURÍDICA DO BOI:

- Na saída do MOTEL, resolvi, “com justeza” não pagar pelo quarto, até porque não o usei, sequer desmanchei os lençóis da cama, tendo lá permanecido, por não mais do que 20(vinte) minutos, na vã tentativa de convencer a vaca a fazer qualquer coisa...

Agora douuuuutora... me diga: “Juridicamente”, qual o objetivo social dos motéis, certamente equiparáveis a um “matadouro”, (no Sul, motéis são vulgarmente conhecidos como “morredores”), senão o “Abate de vacas”? E, em não havendo a consumação efetiva de qualquer “abate”, sequer um singelo “ósculo” ou um “amassinho” mais apimentado, tamanha a resistência da VACA, porque eu deveria pagar um centavo a qualquer título para tal estabelecimento?

E veja Dra., ainda tem mais, não bastasse isso tudo: O Sr. Proprietário do Motel, está aqui a me impedir de sair, inclusive ameaçando chamar a Polícia, caso eu não o pague! Tudo por causa dessa “vaca miserável” (Vejam aqui:novamente o uso da expressão vaca), que do nada, de uma hora para outra resolveu se fazer de difícil!

Juro, eu não podia acreditar no que estava ouvindo, meu raciocínio jurídico de vaca advogada, desapareceu momentaneamente, e me vi compelida a mandar literalmente o infeliz do boi “Dom Juan” pastar !

Mas me contive, e me limitei a dizer: Não existe nenhuma lei que ampare sua “pretensão”, você deve sim pagar o valor correspondente à diária do Motel, a menos que queira passar a noite no “Xilindró”, pois está cometendo um “delito”, sua tese jurídica é absolutamente insustentável.

O boi se resignou e agradeceu polidamente a consulta jurídica, mas ainda assim, tentou me convencer a ir até o Motel, tentar negociar com o proprietário do mesmo, aduzindo que o valor da diária do mesmo, seria minha verba honorária...

- MORAL DA HISTÓRIA: (Que poderia ser três ...)

· Todo o boi metido a “Don Juan” e a conquistador, invariavelmente não possui autocrítica, cai no ridículo, podendo ainda vir a se tornar um ser anti-social, e conseqüentemente um delinqüente !

· Vacas, tem todo o direito sim, de se negarem a fazer um programa sexual com qualquer boi, mas aí eu me pergunto, o que vão fazer em um motel, se não para consumar o fato ?

· Advogados, realmente não são levados a sério, devia ter feito Medicina ou Jornalismo...

10 Comentários:

Anonymous danusia disse...

http://hipermoderna.net/o-que-estou-ouvindo

mais um meme pras vaquinhas responderem! ^^ "o que estou ouvindo"! beijocas pras moças!

xoxoxx

3 de julho de 2007 19:01  
Blogger ... disse...

HAuHAuAHUAHUA... adorei o blog!!!
Te adicionei lá no meu, ok?
Grande beijo!

3 de julho de 2007 19:59  
Blogger Claudio disse...

Hoje mesmo no JCF, Pai Xoxó respondeu a pergunta de uma garota (não, não era uma vaca, acho eu) se deveria dar ou não no primeiro encontro. Coincidentemente encontro aqui esse caso de inconformismo bovino frente a negativa da vaca em dar a traseira.
Acho que toda vaca tem direito a negar a liberação da cauda, se assim o quiser. Tocar nas tetas já não é tão complicado assim e normalmente as vacas deixam, mas se não quiserem é um direito bovino, que deve ser respeitado. Ou mugi besteira, minha cara, Dra?

bjs

3 de julho de 2007 21:46  
Blogger luma disse...

Os que se acham D. Juans se espalham aos montes, mas a grande questão não é essa, até porque muitas vacas é que alimentam essa espécie. Mas a grande questão é mesmo: "o que vão fazer em um motel, se não para consumar o fato?"
Bom dia !! Beijus, Luma

4 de julho de 2007 10:21  
Blogger Beth disse...

Ele ainda reclamou? Mas o que tem demais ela ter desistido da conjunção carnal? Melhor desistir a tempo do que correr o risco de ter um coito interrompido.

A minha tese universitária que defenderei é que todo advogado deveria ser um ator.

DM a novilha aqui ainda está saindo da marvada, um cadinho mais disposta, mas meio xoxoxo.

muuuu
bjs

4 de julho de 2007 11:13  
Blogger DM disse...

Queridos, como de praxe adorei os comentários. Vocês são meus grandes motivadores ...
Cláudio: Acho que no texto, eu não entrei no específico detalhe da "negativa da traseira", mas certamente este tema poderá ser abordado aqui ... Falei na negativa geral ...

Luma: A questão é realmente esta, o que uma vaca vai fazer no motel, se não consumar o ato ? Essa história me lembrou aquele caso envolvendo o pugilista MIKE TYSON, que levou a vaca para o quarto e esta pediu dano moral contra o cara, porque lá chegando, não queria consumar ... EU ABSOLVO O BOI ...

BETH - Conjunção carnal é ótimo ...Lembro das minhas aulas de Penal ..., mas continuo achando que se as vacas "não querem dar...", que resolvam esta questão, antes de ir pro quarto do bovino, a fim de evitarem maiores problemas ....
Concordo com você, no currículo do curso de direito, deveria sim, haver dramatrugia, se bem que alguns bois e vacas advogados, talvez nem precisassem, já nascem com este talento ...

Beijos em todos!

PS: Cláudio, li ontem a sua "coluna" do pai Xoxó, hilário, tentei postar comentário, mas não deu,"problemas técnicos" acredito eu ... Seu blog é tão hilário, quanto as Vacas, adoro !!!

4 de julho de 2007 12:37  
Blogger Juℓi Ribeiro disse...

Meninas:

Na minha opinião
esse boi citado,
tá mais para "boi sentado".
Que ficar tranquilamente
numa boa em tudo...
DEVE TER SENTIDO
MAIS A DOR DE TER
QUE PAGAR A CONTA,
DO QUE DO FORA QUE LEVOU.
Ainda bem que a mulher
se mandou a tempo!
(Risos...)
Criou juízo e se livrou
do bovino...
Terá sido
"uma crise de burrice"
passageira?
Beijocas.

4 de julho de 2007 17:25  
Blogger Cintia disse...

Bom, será que a tal "vaca" n]ao está até hoje rindo da cara desse boi que, afinal, teve que descer do pedestal? Pensa bem, ela pode ter feito de propósito. Se fez mesmo, merece os parabéns! Este tipo de boi precisa de lições assim.
Um beijo, meninas!

4 de julho de 2007 22:38  
Blogger AP disse...

Amiga, sabia que apareceu uma história como essa na novela das oito? Vai ver que esse tal boi real inspirou a ficção...

5 de julho de 2007 01:06  
Blogger Eu e Ela disse...

Concordo totalmente todo boi metido a Don Juan cai no ridiculo, o senso auto-critico vai no pé, e pior em momento algum se dão conta.
Bjs

9 de julho de 2007 15:12  

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