segunda-feira, 22 de outubro de 2007

RELAÇÕES BOVINAS PARALELAS X O COMODISMO BOVINO MASCULINO

Rezam, às pencas, os ditos populares do tipo: Quando uma vaca quer “dar” (leia-se trair), e se encontra determinada para tal, ninguém segura!

Nesse particular, sou guindada a crer que os citados ditos populares tem lá sim o seu “fundinho” de razão, pelo simples fato de se tratar de característica congênita das vacas serem estas muito mais resolutas e determinadas do que os bois, na resolução de questões tidas como de ordem e caráter eminentemente pessoais.

Não estou me referindo aqui, àquelas “pequenas”, mas não menos sofridas quando descobertas, relações paralelas ou como quiserem, traições consideradas como tipicamente ocasionais ou casuais, que os bois, certamente exercitam com bem mais freqüência do que as vacas!

Estou aqui a traçar despretensiosas conjecturas sobre aquele tipo de traição mais clássica e profunda, bem mais ao estilo e gosto do boi - Nelson Rodrigues, ou seja: aquele tipo de traição em que, um determinado boi ou vaca circunstanciais e formalmente comprometidos com outros bois, se envolvem com um terceiro bovino(a), de forma paralela e clandestina.

O recorrente e polêmico tema, me veio a mente, e só por isso vou dividi-lo com vocês, por conta de uma recente confidência de uma amiga-vaca-particular, que permanecerá incógnita por motivos óbvios, que relatou estar atualmente se relacionando com um boi do tipo bem-casado, detentor de curral institucional, com direito a prole, vaca-oficial, sogra-vaca, cachorro e pagagaio!

Segundo o relato da citada amiga-vaca, que pacientemente ouvi, os partícipes dessa relação bovina clandestina, se encontram e permanecem apaixonadérrimos um pelo outro, paixão esta que perdura há quase dois anos! Tudo se desenrolando, nesse nem tão curto assim, espaço de tempo, à margem paralela do curral institucional do boi!

E o boi-casado, a partir de então, parece “não saber mais o que fazer”, vivendo assim na clássica dicotomia bovina masculina: não quer perder a “vaca da outra”, amante voraz e por quem se diz apaixonado até o último pêlo, mas concomitantemente também, não quer desmanchar o castelo/curral pré-existente, tido aos olhos dos desavisados e nele diretamente envolvidos, como o protótipo do “pseudo-curral feliz”!

A infeliz da “outra” vaca, por seu turno, se mantém em infinito compasso de espera, mas já não se mostra mais tão feliz assim, na clandestinidade da relação, porque ser a vaca regra-três, não deve ser fácil mesmo! Já pensaram ter de agüentar sozinha aquelas datas tipicamente familiares Natal, Páscoa, Reveillon e afins, sempre à distância do boi-amado, na expectativa e na espera de uma “brecha” do mesmo?

Pobrezinha da tal vaca, se consumindo em culpas e divagações, por ser uma vaca até então tida como de família, de moral ilibada e decente, que do dia para a noite pode vir a ser tachada de vagabunda, ordinária, só porque inadvertidamente deu um mole pro boi da vizinha, e por este se apaixonou perdidamente ...

Agora me digam: - Sem querer traçar prévios e equivocados julgamentos, pois nenhum boi ou vaca acima de qualquer suspeita, se encontram livres de se “apaixonarem loucamente”, mesmo na condição de comprometidos, a quem cabe dar um cabo e um fim de forma definitiva a citada situação?

Ao boi, por evidente. E porque, o boi atávico, protagonista do “rolo” não o faz?

A resposta me soa mais do que óbvia: -Por comodismo, por sem-vergonhice bovina talvez, mas também pela mais pura inabilidade bovina masculina para a resolução desse tipo de problema.

Pois é, nessas delicadíssimas questões pessoais, a regra geral, é de que os bois, sempre esperarão que as vacas envolvidas resolvam o problema para eles. O que equivale a dizer: O deslinde da questão, de forma definitiva se dará por iniciativa de qualquer uma das duas vacas envolvidas integrantes do triângulo amoroso bovino, mas nunca por iniciativa do próprio boi. Capazes de trair com louvor, mas sempre incapazes de resolver o problema, na prática....

Ou seja: ou a vaca apaixonada se cansa do boi e desiste dele de vez, ou a vaca-oficial descobre tudo e manda ele definitivamente pastar, ou via de regra, induz o boi a desistir da outra, pela manutenção do curral, da prole ou do patrimônio!

MORAIS DA HISTÓRIA: Nesse tipo de história, que vai para chuva, vai para se molhar e até se machucar mesmo ! Por isso, não esperem, nesse tipo de situação iniciativas heróicas e destemidas dos bois, eles são sempre atávicos!

Historicamente, os bois têm se mostrado mais do que capazes para mudarem o destino de Nações, para construírem grandes impérios, para incitarem guerras, e por aí vai, mas em se tratando da resolução de suas próprias questões pessoais, a nisso eles esperam, precisam e dependem sempre de uma vaca mais destemida e resoluta que resolva o “pepino” para eles!

Assim, já que trair e coçar é só começar, antes de se enamorarem por vizinhos(as) de rebanho comprometidos, melhor mesmo, é ter sempre em mente, o final pré-anunciado desse tipo de história, que caberá sempre a determinação de uma vaca, pois para questões pessoais, convenhamos, somos muito melhores e superiores aos bois!

PS: A amiga confidente, saiu choramingando, mas acabou me dando razão, afinal, vaca que é vaca amiga mesmo, precisa mesmo dizer as verdades, por mais doloridas que estas sejam!

9 Comentários:

Blogger Ricardo Rayol disse...

essa é uma situação absolutamente bizarra, porém comum, e angustiante.

22 de outubro de 2007 20:58  
Blogger Ana Paula disse...

Cara amiga... Infelizmente posso falar de cadeira dos dois lados da situação. Já me apoixonei perdidamente por um cara noivo. Me contorcia de remorsos, mas nem por isso deixava de ficar com o cara. Até que EU me cansei de ser a outra e dei o dá ou desce... O cara, de casamento marcado, apesar de apaixonado por mim, preferiu prosseguir com o compromisso.
Por outro lado, meu casamento acabou por causa de outra, que está com o falecido (que Deus o tenha até hj...)Se eu o culpo? Não. Culpa tínhamos os três: eu, ele e ela. A quem coube terminar com a siituação? Aos três, tb: ela pressionou, ele pediu e eu aceitei...
Mas meu ponto é: ninguém está livre de se apaixonar por uma pessoa comprometida. Acontece o tempo todo. A gente não tem como controlar essas coisas... Infelizmente.

22 de outubro de 2007 21:27  
Blogger Thiane disse...

Falou tudo!!! Que saudade de vcs. Até deixei um meme pra vcs no blog. Beijocas

23 de outubro de 2007 00:47  
Anonymous Adao Braga disse...

Há pelo menos três enganados nesta história!!!

23 de outubro de 2007 03:26  
Blogger André Moinhos disse...

Querida vaca DM,

Não concordo com tal afirmação.

"Por comodismo, por sem-vergonhice bovina talvez, mas também pela mais pura inabilidade bovina masculina para a resolução desse tipo de problema."

Isso só acontece se for um "novilho" e se for um "boi" mal resolvido. Esse tipo de coisa não acontece no meu curral. Mas cada boi com suas vacas.

Agora, a situação é mais comum do que parece. Sinceramente? Não tenho roupa pra isso. Uma já dá trabalho, duas eu enlouqueço! rs
Se uma não te faz feliz e vc precisa procurar outra, a solução é simples: termina. Assim vc evita problemas e situações constrangedoras.


Beijocas

23 de outubro de 2007 07:38  
Blogger DM disse...

Infelizmente a situação aqui relatada é mais comum do que pareçe, e sofrida prá todo mundo ... Da dó do boi divido, da dó da vaca que espera, e da dó da vaca traída ... Mas sempre vejo o casado ou o comprometido como o vértice do triângulo ... A ele caberia resolver a questão, e não ficar divido entre as duas vacas sofredoras ... Só que na prática, e este não é o primeiro caso do tipo que conheço, quem resolve mesmo a parada são AS VACAS, eles geralmente ficam atávicos, deixando o barco rolar ...

Por isso melhor mesmo, é se manter fora ou alheio a esse tipo de rolo ...É muito sofrido para todo mundo, nesse ponto tô com o André, uma vaca de cada vez ... Afinal nossa cultura ocidental repudia a poligamia, Quem quiser ter duas ou tres vacas ao mesmo tempo, que se mude para o Oriente Médio, lugarzinho sempre "caliente" e agitado, prá não dizer outra coisa.. Eu diria até perfeito prá quem gosta de "rolos" ...

23 de outubro de 2007 08:13  
Blogger Fábio disse...

DM,
é uma situação assaz constrangedora. E dolorosa também para ambos (acredito). Agora, diante das temeridades que a vida ensina, aprendi que sempre devemos tirar lições destas situações complexas. No caso, a vaquinha está absolutamente com a faca e o queijo na mão (ou pata). Ela tem todo o poder para exigir dele que: ou largue a vaca-mor ou largue o pasto verde da amante. Mas tem que estar preparada para ouvir as duas respostas...
E o boi vai fazer o que? Reclamar para quem que a amante está sacaneando ele? É, concordo com Ana.. ninguem está livre de se apaixonar por qualquer outra pessoa, compromissada ou não... mas isso não impede que joguemos sempre pra vencer em qualquer situação. Se ela ama mesmo o boi-rabo-preso, que lute por ele.
Abraços

23 de outubro de 2007 08:21  
Blogger Butterfly disse...

DM,
Eu também vivi o dois lados da situação, e pior, com a mesma pessoa..passei de da situação de vaca oficial para vaca amante..incrível né? passei dois longos anos da minha vida sofrendo até perceber o óbvio..eles realmente não se decidem, cabe a quem está infeliz com a situação, em geral a vaca clandestina, tomar a iniciativa de resolver a situação, que geralmente a gente sabe como termina..enfim..realmente ninguém está livre de se apaixonar por alguém comprometido..mas podemos escolher entre permanecer ou sair de uma situação que não nos faz bem...aprendi isso a duras penas, mas afinal tudo na vida é um aprendizado e eu aprendi muito.

Adoro o blog!! bjs!

26 de outubro de 2007 14:06  
Blogger Luara disse...

Sem muito o que dizer, concordo em gênero, número e grau.
Assino embaixo.

28 de outubro de 2007 15:58  

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